Cerimônia é conduzida pelo secretário de estado americano John Kerry. Bandeira será hasteada sobre o prédio pela primeira vez em 54 anos, ...
Cerimônia é conduzida pelo secretário de estado americano John Kerry.
Bandeira será hasteada sobre o prédio pela primeira vez em 54 anos,
Do G1
A embaixada dos Estados Unidos em Havana, um dos marcos da reaproximação dos dois países, foi inaugurada nesta sexta-feira (14), com o hasteamento da bandeira americana sobre o prédio pela primeira vez em 54 anos.
A cerimônia começou pouco depois das 11h e teve a presença do secretário de Estado americano, John Kerry, que disse que não há "nada a temer" na retomada das relações entre os dois países, falou sobre o embargo que impede a maioria das trocas comerciais entre os dois países e, em espanhol, afirmou que é o momento de reaproximar povos que "não são inimigos nem rivais, mas vizinhos".
"Não há nada a temer, já que serão muitos os benefícios que teremos quando permitimos a nossos cidadãos se conhecerem melhor, se visitarem com mais frequencia, fazer negócios e aprender uns com os outros", disse Kerry durante seu discurso.
Kerry fez um apelo para que o governo cubano cumpra as obrigações internacionais de direitos humanos e falou sobre o embargo comercial, citando que ele só pode ser derrubado pelo congresso, "um passo que a gente fortemente apóia", acrescentou. Disse ainda que o emargo acontece dos dois lados e que os dois lados têm que "remover restrições".
"Por agora o presidente está concentrado em facilitar exportações, importações, telecomunicação, viagens familiares. Mas queremos ir além. Queresmos ajudar os cubanos a se conectarem com o mundo e melhorar suas vidas.
"Esta é uma ocasião realmente memorável. Um dia para deixar de lado barreiras antigas e explorar novas possibilidades", disse Kerry, que também agradeceu os presidentes dos EUA, Barack Obama, e de Cuba, Raúl Castro, pelos esforços de negciação para a retomada de relações.
Ele também falou algumas frases em espanhol. “Os EUA acolhem com aprovação essa nova relação com o governo de Cuba”, disse, no idioma local.
O primeiro a falar na cerimônia foi o chefe da missão diplomática dos EUA Jeffrey de Laurentis. Jeffrey DeLaurentis, que disse que este dia marca "o começo de um novo capítulo" no caminho de normalizar as relações diplomáticas entre Havana e Washington. É um "longo, complexo caminho para percorrer, mas é o caminho certo", afirmou.
O escritor americano de origem cubana Richard Blanco, conhecido por ter participado da cerimônia de posse do segundo mandato de Barack Obama, leu um poema.
A celebração acontece quase quatro semanas após os Estados Unidos e Cuba renovarem formalmente suas relações diplomáticas e aumentarem suas missões diplomáticas nas embaixadas.
A embaixada, situada em um prédio no Malecón na capital cubana, já estava funcionando na prática desde 20 de julho deste ano, quando as relações diplomáticas entre os dois países foram reestabelecidas e Cuba também reabriu sua embaixada em Washington.
Enquanto os cubanos celebraram o hasteamento da bandeira em Washington em 20 de julho, os norte-americanos esperaram até Kerry poder viajar para Havana.
Kerry é o primeiro secretário de estado americano a visitar Cuba em 70 anos
A reabertura das embaixadas foi a primeira ação concreta de reaproximação desde que os dois países anunciaram em 17 de dezembro o descongelamento das relações, que foi seguido de meses de negociações.
Na cerimônia formal desta sexta-feira, a bandeira deve ser hasteada pelos mesmos três soldados que retiraram o símbolo do edifício em 1961, quando os dois países romperam relações. O sargento Jim Tracy e os cabos Larry Morris e Mike East foram designados para a tarefa de retirar a bandeira que ondeava na embaixada americana em Havana.
Diplomatas livres
Os diplomatas da embaixada dos Estados Unidos em Havana poderão circular livremente pela Ilha e "interagir com um grupo amplo" de cubanos, segundo o chefe da missão, Jeffrey DeLaurentis.
As negociações para o restabelecimento das relações entre os dois países exigiram vários meses devido a divergências sobre o livre trânsito dos diplomatas dos dois países além das respectivas capitais.
Embargo
Os detalhes da reaproximação entre os dois países, cujas relações foram rompidas em 1961, dois anos após a Revolução Cubana e em meio à tensão da Guerra Fria, ainda estão sendo discutidos.
Na época do acordo, Cuba libertou o prisioneiro americano Alan Gross e, em troca, três agentes de inteligência cubanos que estavam presos nos Estados Unidos voltaram à ilha.
No dia 29 de maio deste ano, os Estados Unidos tiraram formalmente Cuba de sua lista de Estados que financiam e apoiam o terrorismo. Uma semana antes, a Casa Branca havia aberto suas portas para jornalistas de Cuba, que participaram da entrevista coletiva diária com o porta-voz Josh Earnest.
O embargo comercial à ilha, porém, continua, e só pode ser suspenso pelo Congresso dos Estados Unidos.
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